
E a advogada e sócia do escritório, Josiane Wendt Antunes Mafra, lança, juntamente com seus companheiros do grupo "Café Imobiliário", neste 01/04/2015, a #maiscorretor, numa campanha em prol da profissionalização e aprimoramento da classe dos corretores de imóveis e demais profissionados atrelados ao mercado. Com o artigo "O triste fim do mostrador de imóveis", a advogada faz uma remissão ao livro de Lima Barreto, na tentativa de mostrar a importância da modificação de perspectiva do atual profissional, sob pena de sucumbir ao mercado, altamente competitivo e globalizado.
Segue o artigo de Josiane Wendt Antunes Mafra, que atua, há mais de 12 anos com o Direito Urbanístico, Imobiliário, Turístico e Ambiental.
O TRISTE FIM DO “MOSTRADOR” DE IMÓVEIS
Por Josiane Wendt Antunes Mafra
Saiu e andou. Olhou o céu, os ares, as árvores de Santa Teresa, e se lembrou que, por estas terras, já tinham errado tribos selvagens, das quais um dos chefes se orgulhava de ter no sangue o sangue de dez mil inimigos. Fora há quatro séculos. Olhou de novo o céu, os ares, as árvores de Santa Teresa, as casas, as igrejas; viu os bondes passarem; uma locomotiva apitou; um carro, puxado por uma linda parelha, atravessou-lhe na frente, quando já a entrar do campo... Tinha havido grandes e inúmeras modificações. Que fora aquele parque? Talvez um charco. Tinha havido grandes modificações nos aspectos, na fisionomia da terra, talvez no clima... Esperemos mais, pensou ela; e seguiu serenamente ao encontro de Ricardo Coração dos Outros.
(BARRETO, Lima. O Triste Fim de Policarpo Quaresma)
Você já se perguntou qual a “profissão” que exerce? Se a de corretor ou mostrador de imóveis? Se você apontou a última delas, sinto informa-lo que já está na UTI com os aparelhos prestes a serem desligados e, dependendo do lugar no qual se encontra, já está provavelmente vagando pelo purgatório.
De fato, o mercado atual não comporta mais a figura do corretor “biscate” – aquele que vende desde produtos alimentícios, automóveis e imóveis – muito menos a figura do mostrador de bens imóveis, pouco ou nada especializado, que não busca o aprimoramento profissional e o conhecimento mais aprofundado do mercado e do cliente.
Afinal, é mais do que sabido que o cliente tem, hoje, à sua disposição uma série de ferramentas aptas a lhe mostrar os imóveis, em tempo real e em qualquer lugar do Globo. Ele não precisa de alguém “especializado” nisso. Ele precisa de um consultor que possa te trazer o conforto e a segurança de estar investindo naquele bem que, de fato, lhe trará os retornos e segurança almejados.
O que se vê é um mercado imobiliário carente de profissionais antenados, adaptados, versáteis e, especialmente, focados em adotar medidas previamente estudadas e desenvolvidas a partir da perspectiva de uma “inteligência de vendas”. Grande parte atua ainda na base do improviso, numa mera torcida pela sorte, pelos bons ventos. Muitos, na verdade, aguardam ansiosamente seus telefones tocarem, como se fossem únicos, esquecendo-se da cultura do brasileiro que não se atrela ao profissional, deixando de criar laços.
A fidelização dos clientes já é muito complicada num mercado globalizado, no qual as relações são voláteis e se perdem no tempo e no espaço. No Brasil, este cenário acaba sendo ampliado. O que fazer então para uma mudança de perspectiva, postura, busca de fidelização e aprimoramento? Sair de dentro das imobiliárias e se envolver mais com o mercado e com o cliente, comprometendo-se com o seu próprio aprimoramento profissional, bem como com o fortalecimento do mercado.
Sou #maiscorretor
Facebook: https://www.facebook.com/maiscorretor
